FÓLIO regressa em 2027 sob o tema 'Quem Conta o Mundo?'
A edição 2027 do FÓLIO - Festival Literário Internacional de Óbidos regressa de 7 a 17 de outubro, e vai assinalar os 500 anos da morte de Maquiavel sob o tema “Quem conta o Mundo?”.
Inspirado na reflexão sobre o pensamento e o legado de Nicolau Maquiavel, o tema irá explorar a relação entre realidade, aparências, narrativa e o poder da palavra, colocando a literatura no centro das questões sobre quem conta as histórias, que vozes são ouvidas, e que experiências permanecem por contar.
Num contexto marcado pela influência das plataformas digitais e da inteligência artificial sobre a informação, o FÓLIO 2027 pretende convocar a reflexão sobre a responsabilidade das palavras, a diversidade de perspetivas, e a importância de uma leitura crítica do mundo.
“Contar é narrar. Mas contar é também ter importância, ser reconhecido, ter lugar”, afirmou ontem Filipe Daniel, na sessão de encerramento, apresentando o tema como um convite a escutar quem escreve o mundo e quem ainda procura espaço para fazer ouvir a sua voz.
Na ocasião, o autarca evocou igualmente José Pinho, recordando o seu legado criativo e a exigência de procurar fazer, de cada edição, uma edição melhor do que a anterior.
Com o anúncio do festival em 2027, Óbidos renova o compromisso com um projeto que, desde a sua afirmação como Cidade Criativa da Literatura da UNESCO, em 2015, tem vindo a consolidar a literatura como dimensão estratégica da política cultural do concelho.
O FÓLIO - Festival Literário Internacional de Óbidos encerrou este domingo, depois de 11 dias dedicados à literatura, à criação artística e ao diálogo entre diferentes culturas, gerações e formas de expressão. Ao longo do festival, passaram pelo concelho mais de 100 mil pessoas, num balanço que o presidente da Câmara Municipal de Óbidos destacou como a expressão de um projeto cultural construído em conjunto e com impacto na vida do território.
Sob o tema “Para Além da Pele”, a 11.ª edição convidou o público a olhar para além das aparências, a questionar preconceitos e a reconhecer a humanidade que aproxima as pessoas. De acordo com Filipe Daniel, a qualidade do festival esteve também na “disponibilidade para pensar com os outros, mesmo quando os nossos pontos de vista eram diferentes”.
Na sessão de encerramento, o autarca sublinhou que o FÓLIO é um projeto cultural que afirma a capacidade dos territórios fora dos grandes centros urbanos para desenvolver programação de qualidade, mobilizar comunidades, e criar valor através da cultura.
“Permite compreender o esforço que está por detrás da qualidade apresentada, e o efeito que um projeto cultural pode ter na vida de um território”, afirmou, salientando a importância de aproximar os responsáveis políticos da realidade de quem promove e concretiza este tipo de projetos.
A presença do Ministro da Presidência, António Leitão Amaro (na sessão de abertura) e, no último dia do evento, do Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, e do Presidente da República, António José Seguro - que concedeu o Alto Patrocínio a esta edição - foram igualmente destacadas por Filipe Daniel como sinais de reconhecimento institucional do trabalho desenvolvido em Óbidos.
O autarca assinalou ainda a presença de responsáveis políticos internacionais e do antigo Presidente da República de Moçambique, Joaquim Chissano, reforçando a dimensão internacional do festival e o papel da cultura na aproximação entre povos.
Um projeto cultural construído em comunidade
A edição de 2026 voltou a afirmar a diversidade do FÓLIO, através das suas diferentes áreas de programação: FÓLIO Autores, FÓLIO Mais, FÓLIO Educa, FÓLIO Ilustra, FÓLIO BD, FÓLIO Tec, FOLIA e FÓLIO Boémia. A programação reuniu escritores, poetas, ensaístas, tradutores, ilustradores, artistas, editoras, livreiros e públicos de diferentes idades, cruzando literatura com educação, tecnologia, artes visuais, música e outras linguagens.
Filipe Daniel agradeceu o contributo das curadorias, das equipas municipais e da Óbidos Criativa, empresa municipal responsável pela organização, bem como dos parceiros, mecenas, instituições educativas, associações e comunidades locais que contribuíram para a concretização do festival.
O presidente da Câmara destacou ainda o papel do público, considerando que é no encontro com os leitores e visitantes que o FÓLIO encontra o seu sentido pleno. “O FÓLIO ganha sentido pleno no encontro convosco”, afirmou, agradecendo a todos os que escolheram Óbidos para viver esta edição e aos obidenses pela hospitalidade com que acolheram o festival.
Para o Município, o desafio passa agora por prolongar a energia destes 11 dias na vida quotidiana do concelho, nas escolas, nas bibliotecas, nas famílias e nas práticas culturais da comunidade. Uma visão que reforça a aposta na cultura como instrumento de desenvolvimento, formação de públicos e valorização do território.
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