Festival de Ópera de Óbidos regressa em setembro com “A Cinderela” de Rossini e “Orfeu e Eurídice” de Gluck
De 5 a 20 de setembro, a ópera regressa a Óbidos sob o signo “Luz e Trevas”, inspirado pelos valores do Iluminismo, numa edição que cruza grandes obras do repertório lírico com o património histórico da vila.
A edição de 2026 do Festival de Ópera de Óbidos abre ao ar livre, com as muralhas do Castelo como pano de fundo, numa programação que percorre diferentes épocas e linguagens do repertório operático. A Gala “Encontro de Titãs”, dedicada a Weber, Beethoven e Mozart, terá lugar na Praça da Criatividade, com a Orquestra das Beiras, dirigida por Jan Wierzba, e os solistas Inês Simões, Susana Gaspar, Beatriz Patrocínio, Cátia Moreso, João Barbas e André Henriques.
O programa da gala inclui excertos de Fidelio, a única ópera de Ludwig van Beethoven; de La clemenza di Tito (A Clemência de Tito), a última ópera de Wolfgang Amadeus Mozart; e de Der Freischütz (O Franco-Atirador), considerada por muitos a obra-prima de Carl Maria von Weber, assinalando-se este ano os 200 anos da morte do compositor.
Rossini, Scarlatti, Gluck e um recital de Shakespeare
O primeiro fim de semana do festival coloca em diálogo duas obras de grande força dramática e musical: A Cinderela, ou o triunfo da bondade, de Gioachino Rossini, e a oratória Caim, ou o Primeiro Homicídio, de Alessandro Scarlatti.
Em A Cinderela, ou o Triunfo da Bondade (La Cenerentola ossia Il Trionfo della Bontà), o encenador Pedro Ribeiro reimagina a história clássica, transportando-a para a contemporaneidade e criando um universo marcado por cenários surpreendentes. Nesta opera buffa, Rossini e o libretista Jacopo Ferretti substituem os elementos mágicos por situações profundamente humanas, numa escrita repleta de humor que dialoga de forma brilhante com o virtuosismo da música do compositor italiano.
A produção reúne um elenco de reconhecido talento, com Cláudia Ribas, João Terleira, Tiago Matos, Luís Rodrigues, Tiago Amado Gomes, Sofia Marafona e Mariana Sousa, acompanhados pela Orquestra das Beiras, dirigida por Julia Jones.
A Igreja da Misericórdia, no coração da vila muralhada, recebe Caim, ou o Primeiro Homicídio (Cain overo Il Primo Omicidio), oratória de Alessandro Scarlatti, com libreto de Pietro Ottoboni. Este verdadeiro thriller barroco leva ao palco a história bíblica do assassinato de Abel às mãos do seu irmão Caim, explorando temas como a violência, a inveja, a culpa e a condição humana. Três séculos após a morte de Scarlatti, esta obra-prima do Barroco mantém intacta a força da sua narrativa e faz a estreia da oratória no Festival.
A Orquestra Barroca de Mateus, sob a direção musical de António Carrilho, acompanha os solistas Carlos Nogueira, Ana Rosa, Eduarda Melo, Helena Ressurreição, Alexandra Calado e Job Tomé. O espetáculo é apresentado em co-produção com a Fundação Casa de Mateus, depois da estreia em Vila Real, em julho passado, onde foi recebido com entusiasmo pelo público.
No fim de semana de encerramento, o festival apresenta Orfeu e Eurídice (Orfeo ed Euridice), de Christoph Willibald Gluck, numa leitura do encenador Carlos Antunes. O trágico mito grego ganha dimensão através de uma encenação que cruza solistas, coro, orquestra e dança, com oito bailarinos em palco, numa coreografia de Teresa Simas.
A produção conta com Luisa Francesconi, Ana Quintans e Joana Santos, acompanhadas pelo Coro Voces Cælestes, dirigido por Sérgio Fontão, e pela Orquestra de Câmara Portuguesa, sob a direção de Pedro Carneiro. Entre os momentos mais célebres da obra está Che farò senza Euridice?, uma das árias mais conhecidas de todo o repertório operático. Os figurinos são assinados por José António Tenente.
A programação inclui ainda um recital dedicado à presença de William Shakespeare na música vocal europeia. No Museu Abílio de Mattos e Silva, as jovens intérpretes Margarida Rossas e Maria Leonor Sá apresentam De Purcell a Britten: mais de dois séculos de paixão shakespeariana, num percurso musical que atravessa mais de dois séculos e inclui obras de Haydn, Schubert, Wagner, Purcell e Britten, entre outros.
Filipe Daniel, presidente do Município de Óbidos recorda que "Óbidos tem vindo a afirmar-se como um território onde a cultura encontra no património um palco privilegiado para chegar às pessoas. O Festival de Ópera é um excelente exemplo dessa estratégia: traz grandes obras e grandes intérpretes para espaços únicos, criando uma experiência artística diferenciadora. É com satisfação que acolhemos mais uma edição deste festival, que contribui para aproximar a ópera de novos públicos e para consolidar Óbidos como um lugar onde a cultura acontece, se cruza e se reinventa".
Segundo Carla Caramujo, diretora artística do festival “O Festival de Ópera de Óbidos tem como objectivo a descentralização e desenvolvimento da ópera em Portugal. É, portanto, com esse propósito e na continuidade da força e impacto da anterior edição que a programação de 2026 se inspira na mensagem e nos conteúdos artísticos. O FOO 26 será “Luz e trevas” na sua temática e propõe uma viagem do período barroco aos alvores do belcanto e romantismo.”
Os bilhetes estão à venda em blueticket.meo.pt, no Convento de São Miguel das Gaeiras, na ABA - Banda de Alcobaça Associação de Artes e nos locais habituais.
O Festival de Ópera de Óbidos 2026 é uma iniciativa da ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes, em parceria estratégica com a Câmara Municipal de Óbidos. Conta com o apoio da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes, do BPI/Fundação ‘la Caixa’ e com o mecenato da Égide – Associação Portuguesa das Artes.
PROGRAMAÇÃO
Concerto Inaugural · Gala Mozart, Weber e Beethoven - Encontro de Titãs
05 de setembro · sábado · 20h00
Praça da Criatividade · Óbidos
Excertos de Der Freischütz (Carl Maria von Weber), Fidelio (Ludwig van Beethoven) e La clemenza di Tito (Wolfgang Amadeus Mozart)
A Cinderela, ou o triunfo da bondade
La Cenerentola ossia Il Trionfo Della Bontá
Ópera de Gioachino Rossini com libreto de Jacopo Ferretti
11 de setembro · sexta-feira · 20h00*
13 de setembro · domingo · 18h00
Convento de São Miguel das Gaeiras
*Antecedido por “A Cappella” Breves palavras às 19h00
Caim, ou o Primeiro Homicídio
Cain overo Il Primo Omicidio
Oratória de Alessandro Scarlatti a 6 vozes, com libreto de Pietro Ottoboni
12 de setembro · sábado · 18h00
Igreja da Misericórdia de Óbidos
Co-produção: Fundação da Casa de Mateus
Recital “De Purcell a Britten: mais de dois séculos de paixão Shakespeariana”
16 de setembro · quarta-feira · 18h00
Museu Abílio de Mattos e Silva
Entrada livre
Orfeu e Eurídice
Orfeo ed Euridice, Wq.30
Ópera em 3 atos de Christoph Willibald Gluck com libreto de Ranieri de’ Calzabigi
19 de setembro · sábado · 20h00*
20 de setembro · domingo · 18h00
Convento de São Miguel das Gaeiras
*Antecedido por “A Cappella” Breves palavras às 19h00
Programação em https://festivaloperaobidos.pt/
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