PROJECTO ANATOMIA DA IDENTIDADE


As pessoas, enquanto entidades que emanam do território e lhe pertencem numa dialéctica de potencial identitário e ideo-geográfico, precisam do momento de celebração como forma de consolidação do seu próprio potencial e partilham, entre si e com o espaço, o reconhecimento e o re-dimensionamento das suas características identitárias. O reconhecimento da identidade surge como primeiro pressuposto para a proximidade.

A consciência do processo, por outro lado, é essencial para a apropriação das pessoas e/ou espaço(s) aos momentos de comunicação e partilha identitária. A estrutura que confere uma base fértil de trabalho e desenvolvimento é construída como uma potência exponencial em crescimento.
A reinvenção da(s) técnica(s) e dos materiais como forma de aproximação ao território, à tradição e aos contextos específicos de relações dialéticas com o conhecimento é a forma base de empowerment económico, territorial e social/comunitário.
A preservação do património imaterial é, por um lado, um dado histórico que permite compreender a diversidade dos locais e confrontá-la com o resto do mundo e, por outro, uma ferramenta de apropriação de lugares que se deve aprender a utilizar cada vez melhor.
A anatomia da identidade nasce da vontade de criar um movimento criativo junto das pessoas, preferencialmente em zonas rurais, e que permita realizar um trabalho de pesquisa artística com o objetivo de resgatar memórias da nossa identidade cultural, quer individual quer coletiva, e ao mesmo tempo criar junto das populações dinâmicas culturais concretas e contribuam para um melhoramento da sua vida.

Objetivos Gerais da ação Anatomia da Identidade:
1 . Abrir uma frente de pesquisa, que permita aos artistas participantes iniciarem uma busca no universo rural português, de uma forma participada e profunda, partilhando não só o dia-a-dia mas também a realidade poética, recolhendo assim materiais de criação e enriquecimento pessoal.
2 . Aumentar nas pessoas o gosto e o prazer da partilha dos elementos culturais do seu dia-a-dia, verdadeiro cimento da sua identidade, desenvolvendo ao mesmo tempo uma atitude estética e um aprofundamento do fabuloso.
(Não temos de modo algum a errada presunção de levar a cultura às aldeias. A cultura já lá está, e bem viva, queremos sim que essas pessoas se dêem conta e se envolvam de um modo mais consciente e dinâmico, podendo tornar as vidas mais ricas e felizes.)
3. Ao recuperar as memórias das nossas tradições e da nossa identidade estamos a preparar o futuro.Fundamental no nosso projeto é a relação com as associações locais.Queremos promover e estimular uma maior inter-relação com as pessoas e o meio ambiente, multiplicando as suas apresentações os seus espetáculos as suas criações.
4 .Desenvolver e introduzir novos elementos para a desconstrução de esquemas cristalizados e por isso estéreis. Encontrar novas estéticas no seu dia-a-dia mais próximas das pessoas de hoje e por isso melhor catalisadoras para a alegria e disponibilidade. Elementos esses que existem na tradição mas serão sempre motivadores de novas linguagens.
6 .Queremos espectadores. Pessoas de rostos alegres e disponíveis de olhos bem abertos e coração puro. Espectadores da Arte. Da arte que no dia-a-dia nos rodeia, e envolve-la ainda mais de poética e fantasia. Promover o simples encontro para a conversa à volta do fogo, e já agora com pão e vinho.
7 .Combater a desertificação do interior e o isolamento. Fomentar a redescoberta e o reencontro com os valores da vida rural, a qualidade de vida o contacto com a natureza, e a vida comunitária.
Print Friendly and PDF